quarta-feira, 29 de julho de 2015

Eu vejo Alfama e o Tejo todo (Escrevendo e desenhando por Lisboa)


Eu vejo Alfama e o Tejo todo
Das Portas do Sol
(Escrevendo e desenhando por Lisboa)


Cá do alto
vejo Alfama
e quase
até à foz
o Tejo todo.

Eles namoram-se
e querem que se saiba.

Vem um barco traz,
vai um barco leva
e em todos cabe,
inteira,
a minha Alfama.

Cá do alto
vejo Alfama
e quase
até à foz
o Tejo todo.

E os beijinhos
de espuma
que vejo
à tona do meu Tejo
vão, entre suspiros
salpicando Alfama.

Cá do alto
vejo Alfama
e quase
até à foz
o Tejo todo.

E então
eu ouço
no porão
de uma fragata
um pregão
alegre de varina
e é Lisboa.
É Alfama
que ali vai,
inteira,
a namorar o Tejo.

AntónioFMartins


A Torre do Porto (Escrevendo e desenhando pelo Porto)


A Torre do Porto
(Escrevendo e desenhando pelo Porto)


Lentamente,
estendo o meu olhar
torre sineira acima.
Ali é só granítico barroco,
balaustradas,
cornijas e santos
e, em tudo,
um esplendoroso encanto
com setenta metros de altura.

Lá no topo
parece-me ver Nasoni,
de laço caído em dois,
a acenar-me
e então eu
ensaio um gesto tímido
e retribuo
o cumprimento.

Esta é a torre
do Porto ou seja,
melhor dizendo,
esta torre
é o Porto.

Todo o Porto aqui,
a vigiar o Porto,
a olhar lá de cima
as suas gentes,
o bulício,
as vozes,
os silêncios
e os Douros
que correm inteiros
pelas ruas da cidade.

Daqui,
a torre avista o mundo.

Quero ouvir em Lisboa
o repique dos teus sinos.



AntónioFMartins


Dos Prazeres à Mouraria (Escrevendo e desenhando por Lisboa)


Dos Prazeres à Mouraria
(Escrevendo e desenhando por Lisboa)



Vindo dos Prazeres
longínquos,
já passou meia cidade
e chegou agora
à Conceição.
Passará daqui,
plano à Madalena,
subirá à Sé Patriarcal,
às portas do Sol
e continuará a subir
até ao topo de Lisboa
que é a Graça
descendo depois
ao final do seu destino
no velho Martim Moniz,
a Mouraria.
Daí voltará,
tal Sísifo na cidade,
pelo mesmo caminho
ao sitio
de onde. de novo partirá.
Cidade abaixo,
cidade acima
é o destino
e o eterno caminho
do 28 de Lisboa.
Tlim-tlim, já cá vou,
pode seguir.


AntónioFMartins


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Não sei aqui o meu destino (Escrevendo e desenhando pelo Porto)


Não sei aqui o meu destino
(Escrevendo e desenhando pelo Porto)


Ando pelo Porto,
meio perdido
por entre
as neblinas
do Rui Veloso
e só encontro
pedra cinzenta
e história
e gente
e história
e mais gente.

Gentes.

E é isto
o Porto aqui,
junto à foz do mar
que desagua inteiro
Douro acima.

Passa um eléctrico.
Para onde vai
este eléctrico?
Eu não sei nada
do lugar do seu destino.
Nem sequer
onde é o seu destino.

Mas é um destaque
de cor que passa,
eu sei, é
um salpico no Porto.

Do Porto.

Vou apanhar
este eléctrico
e vou.
Talvez encontre
no seu
o meu destino.


AntónioFMartins