quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Vai sair o 15 da Figueira (Escrevendo e desenhando por Lisboa)

Vai sair o 15 da Figueira
(Escrevendo e desenhando por Lisboa)


Os eléctricos
são como barcas na cidade,
que, à força de um frágil mastro
sem vela e sem vento,
incessantemente a percorrem
e a navegam,
enfrentando, como alterosas vagas,
a crista e a cava, um a uma
das colinas de Lisboa.

De cá para lá, em cada porto
que é uma paragem,
entra e sai em cada um uma cidade inteira,
uma cidade em roda viva, de vidas vivas,
de destinos, de regressos
e, tantas vezes, de não saber sequer
porque se vai para onde se vai.

Não se muda o percurso de um eléctrico.
São aquelas e não outras as linhas
que lhe traçaram o destino,
que o conduzem e que o obrigam,
todos os dias, como o condenado Sísifo,
sempre ao mesmo caminho repetido
para cá e para lá, para baixo e de novo para cima.

Exactamente o mesmo caminho.

Vai sair o “15” da Praça da Figueira,
pelos carris onde está, para o destino previsto,
o habitual.


AntónioFMartins

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